História de Albufeira
Embora as origens de Albufeira permanecem ainda incertas, tudo leva a crer que a região já era povoada em tempos pré-históricos, e que o local onde hoje se ergue a cidade teria sido, alguns séculos antes da nossa era, uma importante povoação com o seu porto marítimo.
A primitiva povoação foi ocupada pelos Romanos, que a batizaram com o nome "Baltum". Durante este período, foi introduzida uma organização administrativa centralizada, a partir da qual se foram desenvolvendo atividades ligadas à agricultura e ao comércio. Construíram-se aquedutos, estradas, pontes e outras infraestruturas – tendo alguns vestígios perdurado até aos dias de hoje.
O topónimo Albufeira tem origem na denominação árabe "Al-Buhera", que significa "castelo do mar". Acredita-se que o nome provenha da proximidade de Albufeira ao oceano e/ou à lagoa que se formava na zona baixa da localidade. Durante este período, foram construídas sólidas fortificações defensivas, tornando a povoação quase inexpugnável, o que ajuda a explicar por que razão Albufeira foi uma das praças que os árabes conservaram durante mais tempo em seu domínio.
Este momento histórico foi marcado pelo desenvolvimento significativo da atividade agrícola, com a introdução de novas técnicas e culturas. Zonas incultas foram transformadas em hortas e pomares, com recurso à construção de açudes e levadas.
Quando D. Afonso III subiu ao trono, já parte do Algarve tinha sido conquistado pelos cristãos. Contudo, foi preciso esperar até meados do séc. XIII para que Albufeira caísse às mãos do Rei de Portugal, que a doou imediatamente à Ordem de Avis.
Mais tarde, em pleno reinado de D. Manuel I, Albufeira conheceria um desenvolvimento determinante para a organização de vários aspetos da vida local – como a propriedade das terras, os impostos cobrados e as obrigações para com a Coroa. O Foral Manuelino foi outorgado a Albufeira a 20 de agosto de 1504, momento em que atualmente se celebra o Dia do Município.
Em 1755, o terramoto que assolou grande parte do território nacional causou enormes estragos na cidade. O mar invadiu a vila com ondas que atingiram dez metros de altura, destruindo quase todos os edifícios.
Décadas mais tarde, em 1833, Albufeira voltaria a estar no centro de disputas territoriais. Durante a guerra civil entre absolutistas e liberais, a vila foi cercada e atacada pelos soldados do "Remexido": um chefe popular absolutista que causou danos significativos, e executou um grande número de habitantes.
A partir de meados do séc. XIX, Albufeira assistiu a um significativo desenvolvimento da sua economia, assente na atividade piscatória. Até às primeiras décadas do século seguinte, registou-se um aumento acentuado da exportação de peixe, mas também de frutos secos. À época, a vila contava com cinco fábricas que empregavam entre 700 e 800 pessoas – na sua maioria, mulheres de pescadores.
Entre os anos 30 e 60 do século passado – altura marcada por grande turbulência internacional, bem como pelo eclodir de um conflito que mudaria para sempre o continente europeu –, Albufeira viria a enfrentar um período de grande decadência. Desapareceram as embarcações e as armações de pesca, fecharam fábricas e abandonaram-se casas. A população ficaria mesmo reduzida a cerca de metade, e a pesca tornar-se-ia novamente numa atividade de subsistência.
No início da década de 60, seriam dados os primeiros passos para a expansão do fenómeno turístico. Muitos turistas nacionais começariam a visitar o concelho, mas foi com a abertura ao mercado inglês que o setor se desenvolveu.
Na década de 80, verificou-se um enorme surto urbanístico, tendo a cidade crescido para nascente, local para onde se transferiu a maior parte dos serviços administrativos, incluindo a Câmara Municipal.
